quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Usuários têm relação 'humana' com sites de relacionamento

A gerente Giovanna Medeiros, 22, amava o Orkut. Começou, pouco a pouco, a entrar no Twitter. No princípio, abria a página uma vez por semana, em média, e o Orkut diariamente. “Chegava todo dia em casa esperando algum recado inesperado ou alguma postagem legal nas comunidades”, diz. O número de vezes que entrava no Twitter, no entanto, passou a ser cada vez maior, até ultrapassar as do Orkut. Giovanna foi esquecendo deste, até que o deletou de vez. Hoje, diz sentir saudades “de vez em quando”, mas não tem planos se cadastrar novamente no Orkut. “Ele me fazia muito mal”, revela. “Aquela ‘sorte de hoje’ era muito hostil”.

Casos como o de Giovanna não são incomuns, segundo a psicóloga da USP, especialista em relacionamento amorosos, Cibelle Pena. “Funciona como num relacionamento convencional”, explica. “Ocorre a decepção amorosa, e se procura ‘afogar’ as mágoas em um outro sujeito, seja ele o Orkut, o Twitter ou o Marquinhos”. Pena também afirma que não são apenas as decepções que provocam essa mudança de “parceiro”. “Além de desgaste no relacionamento, até mesmo a falta de tempo ou desaprovação da família podem contribuir nesse processo”.

As recaídas também são comuns nas relações com os sites de relacionamento. Alberto Martins, 20, estudante de engenharia, trocou o Orkut pelo MySpace, mas logo depois voltou ao antigo parceiro. “Eu tinha cansado do Orkut porque ele era muito lento, travava demais”, conta. “O MySpace era moderno, tinha um visual bacana, uma ‘pegada’ da hora. Mas, depois de três meses, eu sentia falta da lentidão do Orkut – era ele que eu amava”, confessa.

A fotógrafa Diana Venturini, 22, também teve uma dessas recaídas, mas logo voltou atrás. “Eu ficava no Orkut, mas não dava muito certo, eram muitas brigas, ele me tratava muito mal”, diz. Ela conta que então conheceu o Facebook, “que era menos popular e tinha aquele ‘quê’ de garoto estrangeiro”. “Acabei esquecendo o Orkut, mas não totalmente. Como ele sempre me aparecia, resolvi reatar com ele, só que não de muito certo”, revela a fotógrafa, que hoje voltou ao Facebook “sem dó nem piedade”. Segundo ela, o Orkut ainda a procura de vez em quando, arrependido. Mas ela se diz “cansada” dessa situação.

Traição
Diana, que ficou um tempo divida entre Orkut e Facebook, entrando nos dois ao mesmo tempo, diz ter se sentido “culpada” na época. “Era traição”, diz. “Não queria ficar com dois ao mesmo tempo”. Martins, por outro lado, não considera traição. “Eu ficava no MySpace e amava o Orkut, e, nem por isso, deixei de amá0ki”, revela. A psicóloga Cibele conta que o conceito de “traição” nesse mundo virtual é bastante “ambiguo”. “O que é [traição] para um pode não ser para outro”, afirma.

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